
Uma tradição que poucos reparam, Tiago Sousa, nos últimos anos, edita uma cassete em Janeiro na Sucata Tapes. agora o músico começa uma nova fase, “Sustained Tones”. sem querer deixar isto para o fim, diz-se já: Vol.1 é o melhor álbum de Tiago Sousa. um que facilmente nos imaginamos a pensar nos próximos meses como algo representativo de 2026. Tiago anda, já há alguns, a explorar o órgão com uma vertente muito minimalista, repetitiva, andando por harmonias e tons que tocam nas cores de Terry Riley, sem soar a algo emulado. Tiago Sousa desliga-se da ideia de “piano” e entra no campeonato das narrativas sonoras. “Sustained Tones” é majestoso, “Readily Reliance”, o tema de abertura, serve de ponte, entre o resto e o agora, mas também como uma forma de mostrar as coisas: Tiago Sousa tem o hábito de começar alguns discos com o tema mais longo, glorioso, como uma forma de pontuar o momento. estes quinze minutos são isso, com a diferença se não serem só uma coisa e deambularem entre o já referido Tiago Riley e derivações menos musculadas desse som: quase como música para teatro, dança. a transição é lógica e poderosa. seguem-se temas mais clássicos, paisagens que não são paisagem, mas variações de tom no discurso completo. “Sustanted Tones” torna-se soturno, ambíguo e atinge a estratosfera em “Restlessness”, drone (?) que ao longo da última semana nos convidava a ir verificar se ainda estávamos a ouvir o mesmo disco e especular porque é que tinha mudado para The Caretaker. o tema final, “Becoming a Landscape” (na mouche), é o retiro em suspensão, o “mic drop” de missão cumprida. Janeiro e o Portugal dos pequeninos não estavam preparados para o quão bom é este disco de Tiago Sousa.
Cassete disponível na nossa loja no Mercado de Arroios e em www.flur.pt

