O Pensamento Único em Portugal.

Na passada terça feira, dia da tomada de posse do novo Governo, protagonizei, com 3 companheiros, um protesto simbólico em frente ao Ministério das Finanças que pode ser visto no vídeo abaixo. O propósito era só um: mostrar que existem cidadãos, que, armados com a sua consciência e as suas ansiedades, não vão estender uma passadeira vermelha ao Governo e às medidas que nos estão a ser impostas. Cedo se levantaram vozes a insurgir contra o que dizem ser um acto anti-democrático. Afirmando que este Governo tem a legitimidade para representar o povo português e como tal era um acto despropositado e desrespeitoso para a dita Democracia. Gostava de lembrar a todos os meus concidadãos que não existe, nem nunca poderá existir, uma Democracia sem direito à contra-corrente de pensamento, sem pluralidade e sem disseminação dialética da política. Todos os cidadãos têm o direito a expressar, pelas formas que encontrarem e lhes parecerem apropriadas, essa diversidade de pensamento.

Assusta-me ver o veículo do Pensamento Único a crescer fervorosamente em Portugal . É importante manter em consciência quanto isso atenta contra a sociedade e os cidadãos. Estamos num ponto em que a retórica do sistema em tudo se parece com a retórica veiculada durante o Estado Novo que legitimava a gestão do país por meia dúzia de corporações, que defendiam o interesse próprio em nome do interesse comum. Sempre na boca desses Governantes pudemos ouvir que a oposição ao regime era perturbadora da ordem pública e anti-patriota. Sempre pudemos ouvir que quem não está a favor da ideologia dominante está contra o interesse social e deve ser relegado à insignificância e à dissidência. Foi também, em parte, porque me parece que devemos perseverar contra esta lógica, que considero ser preciso marcar posições que sejam visíveis e conscientes. Convicto de que não foi feita uma discussão séria relativa à situação que se nos apresenta e sobre quais as resoluções a tomar, mas também consciente de que se essa discussão tivesse sido feita e o resultado igual me caberia sempre o direito ao pensamento crítico e o direito de me manifestar. Seja num grupo de 4 pessoas, de 400 ou de 4000.

A esse título gostaria de deixar a seguinte citação:

“Let us suppose, therefore, that the government is entirely at one with
the people, and never thinks of exerting any power of coercion unless in
agreement with what it conceives to be their voice. But I deny the right
of the people to exercise such coercion, either by themselves or by their
government. The power itself is illegitimate. The best government has
no more title to it than the worst. It is as noxious, or more noxious, when
exerted in accordance with public opinion, than when in opposition to
it. If all mankind minus one were of one opinion, and only one person
were of the contrary opinion, mankind would be no more justified in
silencing that one person, than he, if he had the power, would be justified
in silencing mankind.”

John Stuart Mill, On Liberty

Ministro das Finanças bloqueado por manifestantes
Vítor Gaspar foi confrontado com acção de protesto contra a intervenção da troika

http://www.tvi24.iol.pt/economia/governo-protesto-manifestacao-ministro-das-financas-vitor-gaspar-troika/1261856-4058.html

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