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	<title>Tiago Sousa &#187; Walter Benjamin</title>
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		<title>O Autor Como Produtor</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 19:41:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Walter Benjamin]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Estamos perante o facto &#8211; do qual os últimos dez anos na Alemanha deram abundantes provas &#8211; de que o aparelho de produção e publicação burguês é capaz de assimilar, e até propagar, quantidades surpreendentes de temas revolucionários, sem pôr seriamente em causa a sua própria existência e a da classe que o possui. (&#8230;) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Estamos perante o facto &#8211; do qual os últimos dez anos na Alemanha deram abundantes provas &#8211; de que o aparelho de produção e publicação burguês é capaz de assimilar, e até propagar, quantidades surpreendentes de temas revolucionários, sem pôr seriamente em causa a sua própria existência e a da classe que o possui.<br />
(&#8230;)<br />
Para tornar o assunto mais claro, ponho em primeiro plano a forma fotográfica da reportagem. O que para ela for válido poderá também aplicar-se à sua forma literária. Ambas as formas devem o seu desenvolvimento extraordinário às técnicas da publicação: a rádio e a imprensa ilustrada. Lembremo-nos do Dadaísmo. A força revolucionária do Dadaísmo consiste em pôr à prova a autenticidade da arte. Compunham-se naturezas mortas com bilhetes, carrinhos de linhas, beatas de cigarro, ligados a elementos pictóricos. Enquadrava-se tudo numa moldura. E apresentavam-se assim as obras ao publico, dizendo: &#8220;Vejam, a vossa moldura rompe os limites do tempo; a mais minúscula parcela autêntica da vida quotidiana diz mais do que a pintura.&#8221; Assim como a impressão digital sangrenta de um assassino na página de um livro diz mais do que o texto. Destes conteúdos muito foi aproveitado pela fotomontagem. Basta pensar-se no trabalhos de John Heartfield, cuja técnica fez da capa do livro um instrumento político. Mas agora continuem a seguir o caminho da fotografia. O que é que vêem? Ela torna-se cada vez mais diferenciada, cada vez mais moderna, e o resultado é que não e capaz de fotografar nenhum bairro miserável, nenhum monte de lixo, sem o transfigurar. Para não falar já do facto de que, perante uma barragem ou uma fábrica de cabos eléctricos, ela seria incapaz de dizer outra coisa que não fosse: o mundo é belo. Ora, o <em>Mundo é Belo </em>é o título de um conhecido livro de fotografias de Renger-Partsch, onde vemos a fotografia da Nova Objectividade no seu apogeu. Ela conseguiu, de facto, fazer até da miséria um objecto de prazer, captando-a e tratando-a de acordo com o perfeccionismo da época. Na verdade, se faz parte da função económica da fotografia levar até às massas conteúdos que anteriormente estava excluídos do seu consumo &#8211; a Primavera, pessoas importantes, países desconhecidos &#8211; tratando-os ao gosto da moda, uma das suas funções políticas é a de renovar o mundo tal como ele é, a partir de dentro &#8211; por outras palavras: ao gosto da moda.</p>
<p>Temos aqui um exemplo flagrante do que significa fornecer o aparelho de produção sem o transformar.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Só a superação das competências que, no processo de produção intelectual e de acordo com a concepção burguesa, constituem a sua ordem, torna essa produção politicamente útil; e são, mais precisamente, as barreiras de competência entre as duas forças produtivas, exigidas para as separar, que têm de ser destruídas conjuntamente.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Gostaria de acrescentar muito brevemente uma frase sobre o músico que nos vem de Eisler: &lt;&lt; Também a evolução da música, tanto na produção como na reprodução, temos de aprender a reconhecer um processo de racionalização cada vez mais generalizado&#8230; O disco, o filme sonoro, as juke-boxes, podem divulgar produtos musicais de elevada qualidade&#8230; como mercadorias enlatadas. A consequência deste processo de nacionalização é o facto de a reprodução da m+usica se restringir a grupos de especialistas cada vez mais pequenos, mas também mais qualificados. A crise do concerto é a crise de uma forma de produção antiquada, ultrapassada por novas invenções técnicas.&gt;&gt; Tratar-se-ia então de transformar a função da forma do concerto, preenchendo duas condições: suprimir em primeiro lugar a oposição entre os executantes e ouvinte e, em segundo lugar, a oposição entre a t+técnica e os conteúdos. Sobre isto faz Eisler a seguinte afirmação esclarecedora: &lt;&lt;Temos de ter cuidado em não sobrestimar a musica de orquestra, considerando-a a única grande forma de arte. A música sem palavras alcançou a sua grande importância e a sua expansão plena apenas no capitalismo&gt;&gt;.  Ou seja: a tarefa de transformar o concerto não é possível sem a colaboração da palavra. Só desta colaboração, como esclarece Eisler, pode resultar a transformação de um concerto num <em>meeting</em> político. Que uma transformação destas representa realmente um ponto máximo da técnica musical e literária, foi o que demonstraram Brecht e Eisler com a peça didáctica &#8220;A Decisão.&#8221;</p>
<p>Walter Benjamin</p>
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