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	<title>Tiago Sousa &#187; chuang tzu</title>
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		<title>Os Dilúvios de Outono</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 15:09:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[chuang tzu]]></category>

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		<description><![CDATA[As enchentes de outono vieram. Milhares de torrentes bravias desaguaram furiosamente no Rio Amarelo. O leito do rio se encheu e inundou as margens a ponto de, olhando-o, não ser possível distinguir, do outro lado, um boi de um cavalo. Então, o Deus Fluvial sorriu, maravilhado, ao ver que toda a beleza do mundo caíra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As enchentes de outono vieram. Milhares de torrentes bravias desaguaram furiosamente no Rio Amarelo. O leito do rio se encheu e inundou as margens a ponto de, olhando-o, não ser possível distinguir, do outro lado, um boi de um cavalo. Então, o Deus Fluvial sorriu, maravilhado, ao ver que toda a beleza do mundo caíra sob sua proteção. Navegou rio abaixo, até que foi para o Oceano. Ali, olhou sobre as ondas, para o vazio horizonte no leste, e a sua face desfez-se. Olhando para o longínquo horizonte recobrou os sentidos e murmurou ao Deus do Oceano: “Bem, o provérbio está certo. Aquele que possui cem idéias, acha que sabe mais que ninguém. Tal pessoa sou eu. Somente agora compreendo o que significa a EXPANSÂO!”</p>
<p>O Deus do Oceano replicou:<br />
“Pode você falar do mar<br />
A um sapo dentro do poço?<br />
Pode falar sobre o gelo<br />
Aos louva-a-Deus?<br />
Pode falar sobre a Vida<br />
A um doutor em filosofia?</p>
<p>De todas as águas do mundo<br />
O Oceano é a maior.<br />
Todos os rios nele deságuam<br />
Noite e dia;<br />
Nunca está cheio.<br />
Devolve as águas<br />
Noite e dia.<br />
Nunca se esvazia.<br />
Nas secas<br />
Não baixa.<br />
Nas cheias<br />
Não se eleva.<br />
Maior que todas as outras águas!<br />
Não é possível dizer<br />
O quanto é maior!<br />
Mas orgulho-me dele?<br />
O que sou sob o céu?<br />
O que sou sem Yang e Yin?<br />
Comparado com o céu<br />
Sou uma pequena rocha,<br />
Um carvalho retorcido<br />
Na montanha:<br />
Devo agir porventura<br />
Como se fosse algo?”<br />
De todos os seres existentes (e os há aos milhões), o homem é apenas um. Dentre os milhões de homens que vivem na terra, o povo civilizado que vive da agricultura é apenas uma pequena proporção. Menor ainda é a quantidade dos que, homens de escritório, ou de fortuna, viajam de carruagem ou de barco. E, destes todos, um homem na carruagem nada mais é do que a ponta do fio de cabelo no flanco de um cavalo. Por que, então, toda esta agitação acerca de grandes homens e de grandes empregos? Por que todas as discussões dos eruditos? Por que todas as controvérsias dos políticos?<br />
Não há limites fixos,<br />
O tempo não permanece imóvel.<br />
Nada dura,<br />
Nada é final.<br />
Você não pode segurar<br />
O fim ou o princípio.<br />
O sábio vê o próximo e o distante<br />
Como se fosse idênticos,<br />
Ele não despreza o pequeno<br />
Nem valoriza o grande:<br />
Onde todos os padrões diferem,<br />
Como poderá você comprar?<br />
Com um olhar<br />
Ele se apodera do passado e do presente,<br />
Sem tristeza pelo passado<br />
Nem impaciência pelo presente.<br />
Tudo está em movimento.<br />
Tem experiência<br />
Da plenitude e do vazio.<br />
Não se rejubila no sucesso<br />
Nem lamenta o insucesso<br />
O jogo nunca está terminado.<br />
O nascimento e a morte são iguais.<br />
Os termos nunca são finais.</p>
<p>Chuang Tzu</p>
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