Coro das Vontades na DIF deste mês:

Que manifestos tens recolhido? Muita indignação?
Temos recebido diversos manifestos. Alguns inclinam-se para a reivindicação simples outros para dissertações mais complexas. Cada um deles parece responder a um apelo diferente segundo diferentes concepções sobre o que significa a manifestação no actual panorama social e político. Aqueles que mais nos interessaram foram os que procuravam reflexões e questões antes de procurar soluções e respostas. Aqueles que nos levaram a reflectir sobre o papel de cada um e as barreiras que importa transpor se chegarmos à conclusão que esta construção social não nos serve, como julgo ser evidente.
 
No Coro das Vontades o autor é o público?
A responsabilidade da autoria deste espectáculo é minha e da Joana. Assumimos as opções que fizemos e as temáticas que quisemos abordar. A escolha estética e ética é resultado de um percurso que fizemos mas que não fizemos sozinhos. Esta forma de pensar vai ao encontro daquilo que tenho como convicção há algum tempo. A ideia de que ninguém cria sozinho. Precisamos deste caldo cultural e social sobre o qual nos definimos, em oposição ou em consonância. Julgo que este é um factor forte de qualquer criação assim como julgo que esta é a dinâmica natural da sociedade. As duas polaridades do ser social, que balançam entre o individuo ou a personalidade, e a comunidade ou a cultura. Temos todos a ganhar em fomentar estes dois lados no nosso quotidiano e este espectáculo é a minha forma de o afirmar.
 
Pretendes repensar a relação entre a arte e a política… Os artistas não terão pavor de uma revolução social profunda? O sistema da arte poderia desaparecer…
O sistema  em que a arte vive é consonante com a ideia de sociedade que perseguimos. Numa sociedade altamente especulativa, financeira e mediática a arte assume essas características. Numa narrativa Marxista ela encontrar-se-ia ao serviço da classe operária, por exemplo. Como o que me importa fomentar é a emancipação e a igualdade, uma alteração deste género poderia significar uma enorme explosão de criatividade. Imagina se todos nós pudéssemos criar sem ter de pensar num mercado que esteja disposto a consumir essa criação? Talvez então o único limite pudesse finalmente ser o da imaginação e essa ideia entusiasma-me bastante.
Mas de todo estou a pensar em modificar  a relação entre arte e política porque ela me parece natural. Nem olho para elas segundo esse estigma da separação e da especialização. O que me importa pensar é que em que forma posso, modificando comportamentos e formas de ver o mundo, tornar-me naquilo que anseio ser. Em vez de esperar pelos “amanhãs que cantam”, como posso edificar, aqui e agora, relações sociais mais entusiasmantes e saudáveis. Nesse sentido para mim não me interessa olhar para a arte e a política nesse pretexto da separação, elas são diferentes expressões de ansiedades semelhantes.
http://www.difmag.com/DIF_90.pdf
Teatro Maria Matos, 14 de Julho: http://www.teatromariamatos.pt/pt/prog/musica/20112012/corodasvontades
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