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	<title>Tiago Sousa &#187; books</title>
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		<title>&#8220;A Ordem Explicadora&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 16:34:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[rancière]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;É necessário inverter a lógica do sistema explicador. A explicação não é precisa para remediar uma incapacidade de compreender. É, pelo contrário e, esta incapacidade que é a ficção estruturante da concepção explicativa do mundo. É o explicador que precisa do incapaz e não ao contrário, é ele que constitui o incapaz como tal. Explicar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;É necessário inverter a lógica do sistema explicador. A explicação não é precisa para remediar uma incapacidade de compreender. É, pelo contrário e, esta incapacidade que é a ficção estruturante da concepção explicativa do mundo. É o explicador que precisa do incapaz e não ao contrário, é ele que constitui o incapaz como tal. Explicar qualquer coisa a alguém é, sobretudo, demonstrar-lhe que não a consegue compreender por si próprio. Antes de ser o acto do pedagogo, a explicação é o mito da pedagogia, a parábola de um mundo dividido entre espíritos sabedores e espíritos ignorantes, espíritos maduros e imaturos, capazes e incapazes, inteligentes e estúpidos.&#8221;</p>
<p>Jacques Rancière em &#8220;O Mestre Ignorante&#8221;</p>
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		<title>Huxley vs Orwell</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 09:58:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://9gag.com/photo/16133_540.jpg" alt="" width="540" height="4310" /></p>
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		<title>&#8220;I am Dying, Meester?&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 13:16:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Burroughs]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe frameborder="0" scrolling="no" style="border:0px" src="http://books.google.pt/books?id=b7sLY-LnWuEC&#038;lpg=PA76&#038;ots=y-w1KnfLry&#038;dq=%22i%20am%20dying%20meester%22%20burroughs&#038;pg=PA76&#038;output=embed" width=600 height=600></iframe></p>
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		<title>&#8220;A Utopia&#8221; II</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 13:39:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Quando me entrego a tais pensamentos, presto inteiramente justiça a Platão e já não me admiro de que ele se tenha recusado a fazer leis para aqueles povos que não aceitam a comunidade dos bens. Esse grande génio previra facilmente que a única maneira de organizar a felicidade pública era a aplicação do princípio da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Quando me entrego a tais pensamentos, presto inteiramente justiça a Platão e já não me admiro de que ele se tenha recusado a fazer leis para aqueles povos que não aceitam a comunidade dos bens. Esse grande génio previra facilmente que a única maneira de organizar a felicidade pública era a aplicação do princípio da<em> igualdade. </em>Ora a igualdade é , segundo penso, impssível num Estado onde a posse é solitária e absoluta; pois cada um aí se arroga diversos títulos e direitos para chamar a si tudo  quenato pode; e a riqeuza nacional, por maior que seja, acaba por cair nas mãos de um pequeno número de indivíduos que só deixam aos outros indigência e miséria.</p>
<p>Muitas vezes até acontece que a sorte do rico devia caber ao pobre. Não há ricos avaoros, imorais e inútieis? Pobres simples e modestos, cuja indústria e trabalho aproveitam ao Estado, sem vantagem para eles próprios?</p>
<p>Eis o que invencivelmente me convence de que a única maneira de distribuir os bens com equanimidade e justiça, instituindo a felicidade do género humano, é a abolição da propriedade. Enquanto direito de propriedade for o fundamento do edifício social, a classe mais numerosa e mais estimável só terá, para partilhar, miséria, tormentos e desespero. &#8221;</p>
<p>Thomas More</p>
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		<title>&#8220;a utopia&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jul 2010 12:58:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Thomas More]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Se não é possível arrancar de uma só vez pela raízes máximas perversas nem tão-pouco abolir os costumes imorais, isso não é razão para abandonar a coisa pública. O piloto não deserta do seu navio quando surge a tempestade, pelo facto de não poder dominar o vento.
(&#8230;)
Existe cobardia ou infâmia em calar as verdades que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Se não é possível arrancar de uma só vez pela raízes máximas perversas nem tão-pouco abolir os costumes imorais, isso não é razão para abandonar a coisa pública. O piloto não deserta do seu navio quando surge a tempestade, pelo facto de não poder dominar o vento.<br />
(&#8230;)<br />
Existe cobardia ou infâmia em calar as verdades que condenam a perversidade humana, com o pretexto de que elas serão motivo de irrisão e consideradas novidades absurdas ou impraticáveis quimeras. Dever-se-ia, em tal caso, lançar um véu sobre o Evangelho e dissimular aos cristãos a doutrina de Jesus. Mas Jesus proibiu aos seus apóstolos o silêncio e o mistério. Repetiu-lhes muitas vezes: O que eu vos digo em voz baixa e ao ouvido, pregai-o dos telhados em alta voz e sem disfarce. Ora, a moral de Cristo é muito mais oposta aos costumes deste mundo do que todos os nossos discursos.&#8221;</p>
<p>Thomas More</p>
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		<title>Os Dilúvios de Outono</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 15:09:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[books]]></category>
		<category><![CDATA[chuang tzu]]></category>

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		<description><![CDATA[As enchentes de outono vieram. Milhares de torrentes bravias desaguaram furiosamente no Rio Amarelo. O leito do rio se encheu e inundou as margens a ponto de, olhando-o, não ser possível distinguir, do outro lado, um boi de um cavalo. Então, o Deus Fluvial sorriu, maravilhado, ao ver que toda a beleza do mundo caíra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As enchentes de outono vieram. Milhares de torrentes bravias desaguaram furiosamente no Rio Amarelo. O leito do rio se encheu e inundou as margens a ponto de, olhando-o, não ser possível distinguir, do outro lado, um boi de um cavalo. Então, o Deus Fluvial sorriu, maravilhado, ao ver que toda a beleza do mundo caíra sob sua proteção. Navegou rio abaixo, até que foi para o Oceano. Ali, olhou sobre as ondas, para o vazio horizonte no leste, e a sua face desfez-se. Olhando para o longínquo horizonte recobrou os sentidos e murmurou ao Deus do Oceano: “Bem, o provérbio está certo. Aquele que possui cem idéias, acha que sabe mais que ninguém. Tal pessoa sou eu. Somente agora compreendo o que significa a EXPANSÂO!”</p>
<p>O Deus do Oceano replicou:<br />
“Pode você falar do mar<br />
A um sapo dentro do poço?<br />
Pode falar sobre o gelo<br />
Aos louva-a-Deus?<br />
Pode falar sobre a Vida<br />
A um doutor em filosofia?</p>
<p>De todas as águas do mundo<br />
O Oceano é a maior.<br />
Todos os rios nele deságuam<br />
Noite e dia;<br />
Nunca está cheio.<br />
Devolve as águas<br />
Noite e dia.<br />
Nunca se esvazia.<br />
Nas secas<br />
Não baixa.<br />
Nas cheias<br />
Não se eleva.<br />
Maior que todas as outras águas!<br />
Não é possível dizer<br />
O quanto é maior!<br />
Mas orgulho-me dele?<br />
O que sou sob o céu?<br />
O que sou sem Yang e Yin?<br />
Comparado com o céu<br />
Sou uma pequena rocha,<br />
Um carvalho retorcido<br />
Na montanha:<br />
Devo agir porventura<br />
Como se fosse algo?”<br />
De todos os seres existentes (e os há aos milhões), o homem é apenas um. Dentre os milhões de homens que vivem na terra, o povo civilizado que vive da agricultura é apenas uma pequena proporção. Menor ainda é a quantidade dos que, homens de escritório, ou de fortuna, viajam de carruagem ou de barco. E, destes todos, um homem na carruagem nada mais é do que a ponta do fio de cabelo no flanco de um cavalo. Por que, então, toda esta agitação acerca de grandes homens e de grandes empregos? Por que todas as discussões dos eruditos? Por que todas as controvérsias dos políticos?<br />
Não há limites fixos,<br />
O tempo não permanece imóvel.<br />
Nada dura,<br />
Nada é final.<br />
Você não pode segurar<br />
O fim ou o princípio.<br />
O sábio vê o próximo e o distante<br />
Como se fosse idênticos,<br />
Ele não despreza o pequeno<br />
Nem valoriza o grande:<br />
Onde todos os padrões diferem,<br />
Como poderá você comprar?<br />
Com um olhar<br />
Ele se apodera do passado e do presente,<br />
Sem tristeza pelo passado<br />
Nem impaciência pelo presente.<br />
Tudo está em movimento.<br />
Tem experiência<br />
Da plenitude e do vazio.<br />
Não se rejubila no sucesso<br />
Nem lamenta o insucesso<br />
O jogo nunca está terminado.<br />
O nascimento e a morte são iguais.<br />
Os termos nunca são finais.</p>
<p>Chuang Tzu</p>
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		<title>ideologias e política</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:27:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[books]]></category>
		<category><![CDATA[raoul vaneigem]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O Consumismo, por sua vez, suprimiu a crença nas ideologias, reduzidas ao estado de mercadorias nos intermutáveis expositores onde são exibidas. A política saldou os seus projectos de sociedade, aliás pouco convincentes, aplicando-se a satisfazer o hedonismo da sua clientela. Ao clarim do empenhamento e do sacrifício militantes substituiu-se o altifalante da venda promocional.
Os princípios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O Consumismo, por sua vez, suprimiu a crença nas ideologias, reduzidas ao estado de mercadorias nos intermutáveis expositores onde são exibidas. A política saldou os seus projectos de sociedade, aliás pouco convincentes, aplicando-se a satisfazer o hedonismo da sua clientela. Ao clarim do empenhamento e do sacrifício militantes substituiu-se o altifalante da venda promocional.</p>
<p>Os princípios do marketing só deixaram ao homem político uma ambição, a de ser comprado. A vontade de poder, que ontem lhe era prescrita pela actividade de se impor ao povo e de o governar, foi enfraquecendo no ridículo de exibições publicitárias sobretudo destinadas a provar que ele é consumível, e sem perigo.</p>
<p>Homem de palha ou caixeiro-viajante da acumulação financeira internacional, o político, num crescente mal-estar reveza a informação que circula, num delírio autístico, à velocidade do dinheiro enlouquecido. Mas como se faria ele ouvir, dispondo cada vez menos de palavras e cada vez mais de números? o que ganha na estima dos que nele mandam, perde-o em clientela. Deste modo se vê induzido a tornar-se em breve um homem de negócios.&#8221;</p>
<p>Raoul Vaneigem</p>
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		<title>sobre o trabalho</title>
		<link>http://www.tiagosousa.org/sobre-o-trabalho</link>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 13:10:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[books]]></category>
		<category><![CDATA[raoul vaneigem]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;O trabalho foi aquilo que o homem achou de melhor para nada fazer da sua vida. Mecanizou, quando se tratava de inventar uma constante vivacidade. Privilegiou a espécie à custa do indivíduo, como se fosse preciso, para perpetuar o género humano, uma pessoa renunciar à fruição de si mesma e do mundo produzindo a sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;O trabalho foi aquilo que o homem achou de melhor para nada fazer da sua vida. Mecanizou, quando se tratava de inventar uma constante vivacidade. Privilegiou a espécie à custa do indivíduo, como se fosse preciso, para perpetuar o género humano, uma pessoa renunciar à fruição de si mesma e do mundo produzindo a sua própria desumanidade.</p>
<p>O estado planetário de ruína, isto a que conduziu a transformação da natureza numa matéria morta, mereceria ilustrar, nos futuros museus da barbárie arcaica, a salutar advertência: &lt;&lt;Aprendam e criar, nunca trabalhem!&gt;&gt;&#8221;</p>
<p>Raoul Vaneigem</p>
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		<title>O Autor Como Produtor</title>
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		<pubDate>Wed, 05 May 2010 19:41:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[books]]></category>
		<category><![CDATA[Walter Benjamin]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Estamos perante o facto &#8211; do qual os últimos dez anos na Alemanha deram abundantes provas &#8211; de que o aparelho de produção e publicação burguês é capaz de assimilar, e até propagar, quantidades surpreendentes de temas revolucionários, sem pôr seriamente em causa a sua própria existência e a da classe que o possui.
(&#8230;)
Para tornar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Estamos perante o facto &#8211; do qual os últimos dez anos na Alemanha deram abundantes provas &#8211; de que o aparelho de produção e publicação burguês é capaz de assimilar, e até propagar, quantidades surpreendentes de temas revolucionários, sem pôr seriamente em causa a sua própria existência e a da classe que o possui.<br />
(&#8230;)<br />
Para tornar o assunto mais claro, ponho em primeiro plano a forma fotográfica da reportagem. O que para ela for válido poderá também aplicar-se à sua forma literária. Ambas as formas devem o seu desenvolvimento extraordinário às técnicas da publicação: a rádio e a imprensa ilustrada. Lembremo-nos do Dadaísmo. A força revolucionária do Dadaísmo consiste em pôr à prova a autenticidade da arte. Compunham-se naturezas mortas com bilhetes, carrinhos de linhas, beatas de cigarro, ligados a elementos pictóricos. Enquadrava-se tudo numa moldura. E apresentavam-se assim as obras ao publico, dizendo: &#8220;Vejam, a vossa moldura rompe os limites do tempo; a mais minúscula parcela autêntica da vida quotidiana diz mais do que a pintura.&#8221; Assim como a impressão digital sangrenta de um assassino na página de um livro diz mais do que o texto. Destes conteúdos muito foi aproveitado pela fotomontagem. Basta pensar-se no trabalhos de John Heartfield, cuja técnica fez da capa do livro um instrumento político. Mas agora continuem a seguir o caminho da fotografia. O que é que vêem? Ela torna-se cada vez mais diferenciada, cada vez mais moderna, e o resultado é que não e capaz de fotografar nenhum bairro miserável, nenhum monte de lixo, sem o transfigurar. Para não falar já do facto de que, perante uma barragem ou uma fábrica de cabos eléctricos, ela seria incapaz de dizer outra coisa que não fosse: o mundo é belo. Ora, o <em>Mundo é Belo </em>é o título de um conhecido livro de fotografias de Renger-Partsch, onde vemos a fotografia da Nova Objectividade no seu apogeu. Ela conseguiu, de facto, fazer até da miséria um objecto de prazer, captando-a e tratando-a de acordo com o perfeccionismo da época. Na verdade, se faz parte da função económica da fotografia levar até às massas conteúdos que anteriormente estava excluídos do seu consumo &#8211; a Primavera, pessoas importantes, países desconhecidos &#8211; tratando-os ao gosto da moda, uma das suas funções políticas é a de renovar o mundo tal como ele é, a partir de dentro &#8211; por outras palavras: ao gosto da moda.</p>
<p>Temos aqui um exemplo flagrante do que significa fornecer o aparelho de produção sem o transformar.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Só a superação das competências que, no processo de produção intelectual e de acordo com a concepção burguesa, constituem a sua ordem, torna essa produção politicamente útil; e são, mais precisamente, as barreiras de competência entre as duas forças produtivas, exigidas para as separar, que têm de ser destruídas conjuntamente.</p>
<p>(&#8230;)</p>
<p>Gostaria de acrescentar muito brevemente uma frase sobre o músico que nos vem de Eisler: &lt;&lt; Também a evolução da música, tanto na produção como na reprodução, temos de aprender a reconhecer um processo de racionalização cada vez mais generalizado&#8230; O disco, o filme sonoro, as juke-boxes, podem divulgar produtos musicais de elevada qualidade&#8230; como mercadorias enlatadas. A consequência deste processo de nacionalização é o facto de a reprodução da m+usica se restringir a grupos de especialistas cada vez mais pequenos, mas também mais qualificados. A crise do concerto é a crise de uma forma de produção antiquada, ultrapassada por novas invenções técnicas.&gt;&gt; Tratar-se-ia então de transformar a função da forma do concerto, preenchendo duas condições: suprimir em primeiro lugar a oposição entre os executantes e ouvinte e, em segundo lugar, a oposição entre a t+técnica e os conteúdos. Sobre isto faz Eisler a seguinte afirmação esclarecedora: &lt;&lt;Temos de ter cuidado em não sobrestimar a musica de orquestra, considerando-a a única grande forma de arte. A música sem palavras alcançou a sua grande importância e a sua expansão plena apenas no capitalismo&gt;&gt;.  Ou seja: a tarefa de transformar o concerto não é possível sem a colaboração da palavra. Só desta colaboração, como esclarece Eisler, pode resultar a transformação de um concerto num <em>meeting</em> político. Que uma transformação destas representa realmente um ponto máximo da técnica musical e literária, foi o que demonstraram Brecht e Eisler com a peça didáctica &#8220;A Decisão.&#8221;</p>
<p>Walter Benjamin</p>
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		<title>comprei hoje na trama</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 20:13:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Sousa</dc:creator>
				<category><![CDATA[books]]></category>

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http://www.angelus-novus.com/livros/detalhe.php?id=168
Para levar na minha próxima viagem europa fora, claro que a Catarina gozou cmg..
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" src="http://www.angelus-novus.com/admin/livros/uploads/h_livre_G.jpg" alt="" width="267" height="401" /></p>
<p>http://www.angelus-novus.com/livros/detalhe.php?id=168</p>
<p>Para levar na minha próxima viagem europa fora, claro que a Catarina gozou cmg..</p>
]]></content:encoded>
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