“A Utopia” II
“Quando me entrego a tais pensamentos, presto inteiramente justiça a Platão e já não me admiro de que ele se tenha recusado a fazer leis para aqueles povos que não aceitam a comunidade dos bens. Esse grande génio previra facilmente que a única maneira de organizar a felicidade pública era a aplicação do princípio da igualdade. Ora a igualdade é , segundo penso, impssível num Estado onde a posse é solitária e absoluta; pois cada um aí se arroga diversos títulos e direitos para chamar a si tudo quenato pode; e a riqeuza nacional, por maior que seja, acaba por cair nas mãos de um pequeno número de indivíduos que só deixam aos outros indigência e miséria.
Muitas vezes até acontece que a sorte do rico devia caber ao pobre. Não há ricos avaoros, imorais e inútieis? Pobres simples e modestos, cuja indústria e trabalho aproveitam ao Estado, sem vantagem para eles próprios?
Eis o que invencivelmente me convence de que a única maneira de distribuir os bens com equanimidade e justiça, instituindo a felicidade do género humano, é a abolição da propriedade. Enquanto direito de propriedade for o fundamento do edifício social, a classe mais numerosa e mais estimável só terá, para partilhar, miséria, tormentos e desespero. ”
Thomas More
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